Manchas, queimaduras e outros males provocados na pele pelos raios solares podem ser evitados com produto certo
Mayra Stachuk
Da Reportagem Local
Espinhas, manchas, queimaduras. O câncer da pele não é o único dano que a falta de cuidado durante a exposição ao sol pode causar à pele.
A atenção, segundo especialistas, deve começar pela escolha do filtro solar. O produto deve informar o grau de proteção para os raios UVB e para os UVA.
A radiação UVA penetra profundamente na pele, danifica as fibras de sustentação dos tecidos e está relacionada ao envelhecimento precoce. O filtro solar deve ser usado mesmo em dias nublados ou chuvosos.
Também deve ser considerado o tipo de produto a ser usado. "Quem tem acne, predisposição para espinhas ou pele oleosa deve evitar os cremes e dar preferência aos produtos em gel", afirma Márcio Santos Rutowitsch, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Os cremes, segundo ele, favorecem o entupimento dos poros e estimulam as glândulas sebáceas, causando o aparecimento de espinhas. "O sol passa uma falsa impressão de queimar as espinhas, mas uma longa e descuidada exposição só faz piorar." Outro problema decorrente da exposição indevida ao sol é o aparecimento ou a intensificação das manchas.
De acordo com Denise Steiner, doutora em dermatologia pela Unicamp, todos os tipos de mancha tendem a ficar mais escuras com o sol, até mesmo as cicatrizes. Para evitar esse processo, o ideal é usar um bloqueador solar na região manchada. "Os melasmas (manchas típicas de gravidez), principalmente, pioram muito e, às vezes, nem o bloqueador resolve", diz ela.
Um tipo comum de marca de sol é o lentigo, manchinhas em tons de marrom que surgem principalmente no colo, nos ombros e no rosto. Elas são causadas pela exposição prolongada e excessiva da pele ao sol. "Ao contrário de outros tipos de mancha, essa é difícil de retirar e aparece também em peles jovens", diz Steiner.
As sardas brancas, ao contrário das sardas comuns, podem aparecer em qualquer pessoa e também não têm tratamento fácil. "As sardas marronzinhas, mais comuns, aparecem em quem têm predisposição depois de um tempo. As brancas podem aparecer mais rapidamente."
A maioria das manchas de envelhecimento, que surgem quando a pessoa fica mais velha, também é causada pelo sol. "Antigamente não se tinha tanta consciência de proteção dos raios UVA e UVB", afirma Steiner.
A advogada Maria Helena Pessoa Pimentel, 37, tem sardas, segundo ela, que vieram de uma adolescência em Santos, no litoral de São Paulo, sem proteção. "Naquela época, fazíamos bronzeador em casa, misturando cenoura e beterraba batidos com hidratante. Já usei até coca-cola para pegar cor. Era realmente uma loucura."
Recentemente ela viu uma dessas pintas aumentar e escurecer. Fez uma biópsia e, diante do resultado negativo para câncer e lupus, a médica receitou ausência total de sol. Desde então, ela usa filtro solar com fator de proteção acima de 30 -em praias do Nordeste, onde o sol é mais intenso, aplica bloqueador de fator 45 a 60. "A mancha sumiu e não voltou mais", diz ela, que agora usa também protetor fator 15 no corpo.
Há ainda as queimaduras provocadas pelo sol. Elas podem ser de primeiro grau, quando a pele fica bastante vermelha e ardente, mas os sintomas passam em poucos dias e o tratamento apenas com hidratante resolve, ou de segundo grau. Nessas, a queimadura é mais profunda e é comum o aparecimento de bolhas de águas além da vermelhidão. O tratamento das queimaduras de segundo grau exige compressas e pomadas ou remédios via oral à base de cortisona.
A jornalista Paula Lopes, 25, já teve algumas experiências com queimadura. Já sofreu com orelhas, pés e canela que ficaram desprotegidos, mas conta que a pior lembrança é de quando pegou no sono estendida de costas em uma esteira na praia. "Quando acordei, não consegui dobrar as pernas, pois a parte de trás do joelho estava quase roxa. Sentar também foi complicado durante alguns dias por causa das nádegas queimadas. Por sorte, eu tinha protegido os ombros", diz.
Tratamentos precisam de ajustes
Os tratamentos de pele nesta época do ano devem ser revistos. Alguns, devido ao sol e ao calor, exigem adaptações.
O uso de cremes exfoliantes, por exemplo, deve ser suspenso. Eles afinam a pele, deixando-a mais sensível à exposição ao sol e, conseqüentemente, facilitam o aparecimento de manchas.
"Os ácidos devem continuar de modo brando e com baixas concentrações", diz a dermatologista Ana Luca Recio, membro da Sociedade Francesa de Mesoterapia e da Academia Americana de Dermatologia. "O ideal é parar a aplicação durante a viagem de férias, mas retomá-la logo na volta." Um alerta importante: o ácido nunca deve ser aplicado na pele antes da exposição ao sol, pois pode provocar queimaduras graves.
Foi o que aconteceu com a vendedora Amanda de Souza, 25, que aplicou no rosto um creme da sobrinha sem saber que na fórmula havia uma pequena concentração deácido para o tratamento de espinhas. Após uma hora no sol, ela sentiu o rosto arder e queimar. Ao lavar o rosto, a pele descamou. "Três dias depois, ela ainda está toda rachada e seca, mas não dói mais", afirmou ela.
Os peelings (esfoliação acelerada da pele) só devem ser feitos muito superficialmente e com baixas concentrações ácidas.
A limpeza de pele está liberada e é indicada para peles mais oleosas -podem ajudar a desobstruir os poros fechados com a gordura dos protetores solares.
Alergias podem aparecer no verão
A estação de calor e sol também favorece alguns tipos de alergia de pele. Em geral, as reações não são graves, mas são suficientes para causar incômodo.
A concentração de suor em certas regiões do corpo, por exemplo, pode provocar inflamações, precedidas de bolinhas avermelhadas (brotoejas).
"O uso de bijuterias durante a exposição ao sol também pode causar irritação na pele, ou dermatite de contato", afirma a médica Denise Steiner.
Outras reações da pele próprias de verão são as urticárias solar e colinérgica. Ambas coçam muito e se espalham pelo corpo em forma de pequenas placas vermelhas. "Têm tratamento fácil, mas causam desconforto", diz.
Os protetores solares também podem causar alergias que resultam em brotoejas. "As fotoalergias são as reações causadas pela união do sol com algum outro componente, que pode ser o protetor solar, por exemplo", explica a dermatologista.
As pessoas que já apresentam reações alérgicas normalmente devem usar filtros solares hipoalergênicos, que utilizam substâncias que, em geral, não provocam alergias.
O contato com a areia de praia também corrobora a contaminação por fungos. É mais comum, por exemplo, a aparição de micoses nas unhas e de bichos geográficos, transmitido pelas fezes de cachorro, nos pés. (MS)
Leia o original em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0901200518.htm